O Brasil está avançando para realizar seus primeiros leilões de reserva de capacidade voltados a sistemas de armazenamento de energia por baterias. A ANEEL colocou em consulta pública as propostas dos editais dos dois certames.
O Leilão nº 05/2026-ANEEL, destinado ao Armazenamento Nacional, está previsto para 2 de dezembro de 2026 e será direcionado a sistemas que comprovem utilização de baterias com fabricação nacional. O Leilão nº 06/2026-ANEEL, de Armazenamento Geral, está previsto para 4 de dezembro de 2026.
Os contratos previstos terão duração de 15 anos, com início do suprimento em 1º de agosto de 2028.
Além da inovação tecnológica, existem discussões regulatórias e econômicas relacionadas à contratação desses sistemas e à alocação de seus custos. São temas que merecem acompanhamento por parte dos agentes do setor elétrico brasileiro — e, principalmente, das empresas com consumo relevante de energia.
O que são os leilões de baterias de 2026?
BESS é a sigla para Battery Energy Storage System, ou sistema de armazenamento de energia por baterias. Em termos simples: são conjuntos de baterias de grande porte capazes de armazenar energia em um momento e devolvê-la ao sistema elétrico em outro.
Isso ajuda o Sistema Interligado Nacional a administrar situações em que a geração e a necessidade de potência acontecem em horários diferentes — algo cada vez mais comum com o crescimento das fontes renováveis, como solar e eólica.
Segundo as propostas em consulta pública, os leilões contratarão disponibilidade de potência de sistemas autônomos de armazenamento. Os projetos deverão possuir potência mínima de 30 MW e capacidade para despacho centralizado pelo Operador Nacional do Sistema (ONS).
Entre os benefícios potenciais discutidos para o setor elétrico estão:
- maior flexibilidade do sistema elétrico;
- melhor integração de fontes renováveis;
- disponibilidade de potência quando necessária;
- aumento da capacidade de resposta do sistema.
Por que existem dois leilões?
O primeiro certame, previsto para 2 de dezembro de 2026, será destinado ao Armazenamento Nacional e exigirá comprovação do uso de baterias com fabricação nacional, conforme os critérios aplicáveis.
O segundo, previsto para 4 de dezembro de 2026, será o Armazenamento Geral, sem essa exigência específica.
Essa divisão faz parte da estratégia estabelecida para a contratação dos novos sistemas de armazenamento no âmbito do LRCAP Armazenamento 2026.
A discussão sobre quem paga essa conta
Um dos temas mais relevantes do debate regulatório é a forma de alocação dos custos relacionados à contratação das baterias. Existe discussão no setor sobre qual base será responsável pelo pagamento e como esses custos serão rateados.
Não existe, neste momento, um encargo novo definitivamente estabelecido, e não é correto afirmar que consumidores ou empresas do Mercado Livre de Energia necessariamente pagarão esse custo de forma direta.
O que se pode dizer com segurança é outra coisa: mudanças na estrutura de custos do setor elétrico podem, dependendo da regulamentação final e da forma como os agentes precificarem seus contratos, produzir efeitos econômicos ao longo da cadeia.
Por que isso importa para empresas que compram muita energia?
Mudanças estruturais no setor elétrico interessam especialmente às empresas com grande consumo e contratos de energia de médio e longo prazo. Para esses grandes consumidores de energia, quatro pontos merecem atenção:
Nada disso significa que o leilão trará economia para a sua empresa. O ponto é diferente e mais sólido: gestão energética exige acompanhamento constante do mercado e da regulação.
Mercado Livre de Energia: por que planejamento importa
Estar no Mercado Livre de Energia não significa simplesmente escolher o fornecedor mais barato. Uma boa estratégia de contratação envolve analisar um conjunto de variáveis:
- perfil de consumo;
- prazo contratual;
- preço;
- sazonalização e flexibilidade;
- riscos;
- cláusulas contratuais;
- mudanças regulatórias.
Como os contratos de energia costumam ter prazos longos, decisões tomadas hoje podem produzir efeitos financeiros durante vários anos. É por isso que acompanhar temas como os leilões de baterias de 2026 deixou de ser assunto exclusivamente técnico.
O que acontece agora?
As Consultas Públicas nº 22/2026 e nº 23/2026 da ANEEL estão abertas para contribuições no período de 30 de julho a 14 de setembro de 2026.
Até a conclusão das consultas públicas e a publicação das regras definitivas, alguns pontos podem sofrer alterações. Por isso, é importante diferenciar o que já está definido do que está apenas previsto ou em discussão.
O que sua empresa deve fazer?
Para empresas com consumo relevante de energia, acompanhar mudanças regulatórias deixou de ser um assunto apenas técnico. Essas decisões podem influenciar contratos, custos e estratégias de compra durante vários anos.
O melhor momento para avaliar riscos e oportunidades é antes da assinatura do próximo contrato de energia.
Conclusão
Os primeiros leilões de baterias do país indicam uma mudança na forma como o setor elétrico brasileiro organiza potência, flexibilidade e integração de renováveis. Ainda existem definições pendentes, especialmente sobre a alocação dos custos.
A SIM Energia Brasil acompanha essas discussões regulatórias e de mercado para apoiar seus clientes em decisões mais seguras na contratação de energia — sempre a partir do perfil real de consumo de cada empresa, e não de promessas genéricas.

